PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL -  TEMPLO DE UMBANDA

"A verdade só está disponível para os despertos no espírito" (Sr. Exu 07 Covas)

"Eu não vim pra esclarecer, eu vim pra confundir". (Exu Mirim Tata Caveirinha)





"A vida é uma pergunta que você tem que responder". (Sr. Malandro Camisa Preta)





"Quando a vida está ruim, o Rosário é um simbolo que nos indica como buscar ajuda" (Pai Antonio de Angola).





"“Lá no sertão eu aprendi que a seca, a fome e a miséria não podem ser usadas para questionar a justiça divina, afinal, foi o homem quem maltratou a natureza, quem não repartiu o pão, quem maltratou uns aos outros” (Sr. Baiano Zé do Coco)






“A vida é alegre? A vida é triste? A vida é o que você é”. (Sr. Martim Pescador)
Textos

Pomba Gira é Liberdade



 
A história registra que a mulher sempre viveu mais oprimida e subjugada do que o homem, aliás, o homem na maioria das vezes foi o algoz da mulher, proibindo desde sua manifestação individual até a sua participação na vida social. Até alguma décadas atrás a mulher sequer tinha direito a voto, era praticamente escrava de conceitos que a tinham como inferior, o que é um verdadeiro absurdo. Houveram (e ainda há) muitos protestos.
 
Quem não se lembra do "Miss America" (concurso de beleza que ocorria nos EUA) de 1968. As ativistas dispuseram no chão do local do evento sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquilhagens, revistas femininas, espartilhos, cintas e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina e desejavam incendiá-los como forma de protesto contra a exploração comercial contratas mulheres. Não conseguiram incendiar, mas o evento se tornou lendário, e realmente incendiou o debate.
 
No Brasil, o movimento feminista surgiu no século 19 com a luta pela educação feminina, direito de voto e abolição dos escravos. Com o advento da República, o movimento feminista no Brasil se tornou mais amplo. O novo regime não concedeu o direito de voto às mulheres e nem facilitou o acesso ao mercado de trabalho à mulher branca de classe média urbana ou rica. Já a mulher negra, a indígena e a mulher branca pobre sempre tiveram que trabalhar para sobreviver.
Apesar de a República ter separado a Igreja do Estado e instituir o casamento civil era difícil de obtero divórcio. O Código Civil de 1916 definia a mulher como incapaz dependente do pai ou do marido. A mulher casada precisava da autorização do marido para viajar, receber herança, trabalhar fora de casa ou adquirir patrimônio.
 
Naquele momento surgiram no Brasil as primeiras fábricas, o trabalho feminino e infantil foi requisitado, pois era mal remunerado e ajudava a manter o baixo custo da produção. Assim, na Greve Geral de 1917, existiram reivindicações específicas por parte deste coletivo junto aos patrões.
 
Devido às pressões dos movimentos feministas, as brasileiras conseguem direito de voto em 1932. Apesar disso, com a consolidação de Getúlio Vargas e do Golpe de 37, a ditadura varguista fechou o Congresso e suspendeu as eleições. Por conseguinte, a imagem da mulher consagrada pelo governo Vargas foi a mulher que realizava trabalhos como enfermeira, professora, secretária e, claro, esposa dedicada ao lar.
 
A década de 60 é marcada pela liberação sexual, pelo surgimento da pílula anticoncepcional e pelos movimentos dos direitos civis. Na década de 70 Algumas mulheres lutam contra a ditadura militar e muitas são presas, torturadas e exiladas. Participam tanto da resistência pacífica em passeatas quanto do movimento armado na Guerrilha do Araguaia, por exemplo. Na Década de 80, com a volta da democracia ao Brasil, as mulheres ganham mais protagonismo no governo com a criação, em 1985, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Também conseguem 26 cadeiras durante a eleição para a Assembleia Constituinte onde lutaram pela inclusão de leis que favorecessem as mulheres.
 
Na década de 90, as mulheres passaram a exigir maior participação na vida pública, mesmo que seja através das chamadas lei de "discriminação positiva". Estas obrigam os partidos garantirem cotas de 30% de mulheres candidatas ao legislativo. No século XXI, O movimento feminista no Brasil acompanhou as demandas do novo milênio com a inclusão de novos temas à sua agenda como a diversidade sexual, racial e o questionamento da maternidade como uma obrigação. Através das redes sociais e blogs, a nova geração de feministas encontrou uma plataforma para expor suas ideias.
 
Em 2006, durante o governo Lula, foi sancionada a Lei Maria da Penha que pune com mais rigor os casos de violência doméstica. A lei foi saudada como um grande passo para a prevenção da violência doméstica contra as mulheres.
 
No Brasil, continua a luta pela erradicação da violência doméstica, maior representatividade política, direito ao parto natural, amamentação em lugares públicos, direito ao aborto, e o fim de uma cultura que coloca a mulher submissa ao homem.
 
No entanto, há um grupo de mulheres que não compartilha com os objetivos de certas correntes do feminismo. Assim movimentos como “Moça, não sou obrigada a ser feminista” e “Mulheres contra feminismo” que se posicionam contra certos planteamentos de algumas vertentes do feminismo contemporâneo.
 
E a entidade Pomba Gira, onde entra nesse contexto todo? As primeiras entidades Pomba Giras começaram a incorporar dentro da Umbanda na década de 40/50 (não há registro exatos), época em que a discussão feminista no Brasil estava em um dos seus auges. Se não sabia, já fique sabendo: por ser a Umbanda uma religião brasileira, a espiritualidade de Umbanda tem preocupação especial em ajustar a oferta espiritual a demanda social necessária. Isso faz com que as linhas de trabalho surjam como reflexo da realidade social, foi o que aconteceu com as Pomba Giras. No início de suas manifestações não estavam organizadas em linhas, mas com o tempo, houve essa organização no Astral.
 
Hoje em dia temos linhas de Pomba Giras conhecidíssimas: Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria Quitéria, Dama da Noite, Rosa Caveira, dentre várias outras. Esses nomes são nomes de grupos de Pomba Giras que estão organizadas no plano Astral de Umbanda em hierarquia sólida e sob um código de trabalho rígido. A linha de Pomba Gira ajuda muito os homens, mas especialmente as mulheres, pois surgiram num contexto onde o debate acerca das questões feministas estavam acentuado. Apesar de não ser uma linha voltada exclusivamente para mulheres, é principalmente para elas que essa linha existe.
 
Pomba Gira quando surgiu veio cantarolando, dançando, com salto alto, vestido vermelho, maquiagem forte e muito bem construída, falando o que pensa sobre liberdade, amor, sexualidade, e outros temas tabus daquela época (e também dessa, certo?). Quando viram aquela mulher bem resolvida no terreiro, logo disseram (desculpe, e com licença, mas vou falar com todas as letras o que disseram): “eis aí uma puta”; “eis aí uma prostituta”; “eis aí uma vagabunda”; “eis aí uma mulher da vida”; “eis aí a senhorita do cabaré”, dentre outras barbáries que se perpetuam até hoje em locais onde não há esclarecimento (não é o nosso caso, certo?). Quase a totalidade dessas críticas vieram de homens opressores, machistas, e mal resolvidos, que nunca suportaram o fato de que as mulheres são livres.
 
As Pomba Giram vieram para quebrar paradigmas e tabus, para provocar discussões acerca de temas importantes para a vida humana, especialmente nas questões que versam sobre a vida da mulher. Pomba Gira é símbolo de LIBERDADE para a mulher, eis que durante tempos a fio a mulher viveu oprimida, subjugada, dominada, tanto pelo homem quanto pela sociedade machista (incluindo mulheres machistas). Pomba Gira veio pra dizer (e diz) para as mulheres que estas devem ser independentes, autônomas e senhoras de si mesmo. Pomba Gira veio para dizer que a mulher deve AMAR COM LIBERDADE, sem se tornar dependente de homem algum; Pomba gira veio pra dizer que a MULHER PODE SER SENSUAL, SEM SER IMORAL ou SEM TER QUE SE TORNAR OBJETO SEXUAL E NENHUM HOMEM; Pomba Gira Veio pra dizer para a MULHER SER INDEPENDENTE FINANCEIRAMENTE, e não mendigar migalha nenhuma de homem nenhum; Pomba Gira veio pra dizer que A MULHER PODE SER O QUE QUISER SER, que não é incapaz, deficiente ou impedida para oficio ou profissão alguma; Pomba Gira veio pra dizer que A MULHER É TÃO FORTE, OU AINDA MAIS FORTE, QUE QUALQUER HOMEM QUE A JULGUE INFERIOR.
 
Pomba Gira não é mulher da vida, ela é senhora de sua própria vida, e faz dela o que bem entender. POMBA GIRA É LIBERDADE. Aqueles que vivem apontando para Pomba Gira dizendo que ela é prostituta, que é puta, que é mulher da vida, que né depravada geralmente são aqueles que acham que a mulher deve caber em algum rótulo machista, ou que deva ficar calada em casa, lavando, passando ou cozinhando. Apontamos no outro a nossa própria deficiência. Quem aponta a sexualidade ou sensualidade feminina manifesta em Pomba Gira é porque tem sérias questões a tratar nessa área, e está apontando para si mesmo.
 
Pomba Gira de Lei e de Luz manifesta-se nos terreiros de Umbanda para praticar o bem e ajudar nas questões amorosas de modo amplo, lidando com nossos sentimentos e emoções, nos ajudando a viver uma vida mais livre, sem nossos traumas, sem nossos bloqueios, sem nossos medos, sem nossas inseguranças. Pomba gira é CURA, e NÃO DOENÇA. “Mas Pai, será que Pomba Gira não foi prostituta noutra encarnação?” Respondo com outra pergunta: “E você, foi o que noutra encarnação? Um bandido? Um assassino? Um depravado que agora está apontando para Pomba Gira quando deveria apontar para si mesmo?” Cuidemos para que não sejamos surpreendidos em nosso próprio julgamento. E mais: pouco me importa o que uma entidade Pomba Gira tenha sido em qualquer encarnação, pois o que importa é que, tenha ela sido santa ou uma prostituta, em todo caso ela terá a EXPERIENCIA DE DIZER NÃO FAÇA ISSO PORQUE EU JÁ FIZ E ME PREJUDIQUEI. Em todo caso ela sempre poderá aconselhar sobre o que viveu. Nós somos hipócritas, machistas, rasos, despreparados, perdemos avida julgando entidades quando na verdade deveríamos julga a nós mesmos, procurando reparar as nossas imperfeições e fraquezas.
 
Por fim, quero falar das “incorporações” absurdas que acontecem dentro dos “terreiros” de Umbanda, onde temos supostas Pomba Giras incorporando e praticando atos reprováveis, tais como dar em cima de homem casado, praticar obscenidades, agredir verbalmente os presentes com palavras de baixíssimo calão, mostrar partes íntimas, dentre outras coisas que eu já vi por aí. Isso é realmente Pomba Gira de Umbanda? ABSOLUTAMENTE NÃO. Primeiro pode ser que o “médium” esteja simplesmente fingindo que incorporou, logo, temos ali um teatro. Se o sacerdote da Casa não é preparado, não vai nem perceber isso, e ainda vai dá corda pra esse tido de absurdo. Segundo, se for tiver uma incorporação, na grande maioria dos casos é um espírito negativo se passando por entidade de Umbanda (chamamos de quiumba). Por último, e muito mais raro, mais acontece, é, de fato, Pomba Gira de Umbanda manifestando o lado mais obscuro daquele médium que já está incorporando, mas que não foi trabalhado para isso como deveria.
 
Um dia desses eu expliquei aqui no Grupo que desenvolvimento mediúnico inclui: 1 – CONHECIMENTO. Pois bem, se num terreiro não tiver conhecimento, o médium vai crer que realmente Pomba Gira é mulher da vida, é prostituta, depravada, e outros absurdos mais, e isso, essa crença, vai aparecer na manifestação da entidade, porque a boa ou má formação do médium transparecem na mediunidade. 2 – EQUILIBRIO EMOCIONAL. Outro pilar apontado por mim para o bom desenvolvimento mediúnico é o equilíbrio emocional, sem isso, certamente veremos problema na incorporação de Pomba Gira. Sexualidade mal resolvida e incorporação de Pomba-Gira é igual a problemas nos dias de gira de esquerda onde ter-se-à atendimento com Pomba Gira. 3 – INCORPORAÇÃO. Após o devido conhecimento adquirido e equilíbrio emocional ao menos em estágio avançado de trabalho, é que se inicia, de fato, a incorporação, pois se pularmos as duas etapas iniciais, certamente veremos problemas nas giras de Pomba Gira.
 
Enfim, Pomba Gira de Umbanda só trabalha para o bem, para nos ajudar a alcançar uma vida mais livre, com plena capacidade de manifestarmos quem de fato somos, e não o que querem que sejamos. Fica minha gratidão a Sra. Pomba Gira Maria Mulambo das 07 Catacumbas, que divide a chefia da minha Casa com o Sr. Exu Maioral 07 Covas. A ela toda a minha gratidão.
 
 
PAI JADER DE XANGÔ - SACERDOTE DO PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL - TEMPLO ESCOLA DE UMBANDA
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 07/08/2018
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