PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL -  TEMPLO DE UMBANDA

"A verdade só está disponível para os despertos no espírito" (Sr. Exu 07 Covas)

"Eu não vim pra esclarecer, eu vim pra confundir". (Exu Mirim Tata Caveirinha)





"A vida é uma pergunta que você tem que responder". (Sr. Malandro Camisa Preta)





"Quando a vida está ruim, o Rosário é um simbolo que nos indica como buscar ajuda" (Pai Antonio de Angola).





"“Lá no sertão eu aprendi que a seca, a fome e a miséria não podem ser usadas para questionar a justiça divina, afinal, foi o homem quem maltratou a natureza, quem não repartiu o pão, quem maltratou uns aos outros” (Sr. Baiano Zé do Coco)






“A vida é alegre? A vida é triste? A vida é o que você é”. (Sr. Martim Pescador)
Textos

 
Ogunhê!

 
 
 
Ogum é o orixá da guerra, do combate, dos embates, que a todos os inimigos vence, que a todos os caminhos abre, que a todos os obstáculos suplanta. Impiedoso, colérico, viril, forte, rápido, assim é Ogum. Deus do ferro, dos ferreiros, e de todos aqueles que utilizam esse material: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores. Suas ferramentas também são de ferro: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxó, símbolos de suas atividades.
 
 
O lugar onde se menos conhece é dentro de terreiros de Umbanda (infelizmente tenho que ser sincero), pois criaram uma imagem quase que santa e cristianizada de Ogum, de modo que vez ou outra se ouvem disparates acerca de Ogum. Ogum tem um caráter violento e aterrador, e disso poucos sabem pois aqui no Brasil. Para demonstrar esses traços de Ogum, veja um dos seus orikis da cultura yorubá, de onde veio o orixá em questão:
 
 
 
“Ogum que, tendo água em casa, lava-se com sangue. Os prazeres de Ogum são os combates e as lutas. Ogum come cachorro e bebe vinho de palam. Ogum, o violento guerreiro, O homem louco com músculos de aço, O terrível ebora que se morde a si próprio sem piedade. Ogum que come vermes sem vomitar. Ogum que corta qualquer um em pedaços mais ou menos grandes. Ogum que usa um chapéu coberto de sangue. Ogum, tu es o medo na floresta o temor dos caçadores. Ele mata o marido no fogo e a mulher no fogareiro. Ele mata o ladrão e o proprietário da coisa roubada. Ele mata o proprietário da coisa roubada e aquele que critica esta ação. Ele mata aquele que vende um saco de palha e aquele que o comprar”
 
 
Sei que as palavras do oriki são fortes, mas não há como alterar a natureza de um orixá, ele é o que é, e não há o que se fazer. Ogum no Brasil é conhecido, sobretudo como deus dos guerreiros. Perdeu a posição de protetor dos agricultores que tinha na Africa, pois os escravos, nos séculos anteriores, não possuíam interesse pessoal na abundância e na qualidade das colheitas e, sendo assim, não procuravam sua proteção neste domínio. Como deus dos caçadores, Ogum foi substituído por Oxóssi, trazido à Bahia pelos africanos de Kêto, fundadores dos primeiros candomblés desta cidade.
 
 
Os nomes (qualidades) mais comuns de Ogum são: Ogum Onirê, Ogum Akorô, Ogum Alagbedê, Ogunjá, ogum Mejê, Ogum Omini, Ogum Warí. As pessoas consagradas a Ogum usam colares de contas de vidro azul-escuro e, algumas vezes, verde. Terça feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Como na África ele é representado por sete instrumentos de ferro, pendurados em uma haste do mesmo metal, e por franjas de folhas de dendezeiro desfiadas, chamadas màrìwò. Seu nome é sempre mencionado por ocasião de sacrifícios dedicados aos diversos orixás no momento em que a cabeça do animal (nos templos onde se pratica sacrifícios) é decepada com uma faca – da qual ele é o senhor.
 
 
É também o primeiro a ser saudado depois que Exú é despachado. Quando Ogum se manifesta no corpo em transe de seus iniciados, dança com ar marcial, agitando sua espada e procurando um adversário para golpear. É, então, saudado com gritos de “ Ogum ieee!” (“ Olá, Ogum!”). É sempre Ogum quem desfila na frente, “ abrindo caminho” para os outros orixás, quando eles entram no barracão nos dias de festa, manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas. Na Bahia, Ogum foi sincretizado com Santo Antônio de Pádua. Expressamos já num capítulo precedente nossa surpresa a respeito da aproximação do deus ioruba e esse santo, geralmente representado com um ar doce a envolvente, bem como a propósito das surpreendentes honras militares que lhe foram concedidas. No Rio de Janeiro, é com São Jorge que Ogum foi associado, o que é mais compreensível, pois ele é representado em suas imagens como um valente guerreiro, vestido com uma brilhante armadura, montado em um fogoso cavalo, às curvetas, e armado com uma lança com a qual ele transpassa um dragão encolerizado. Em Cuba, Ogum é sincretizado com São João Batista e São Pedro.
 
 
 
O arquétipo de Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energeticamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das pessoas que possuem humor mutável, passando por furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e fraqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
 
 
Para se cultuar Ogum da maneira que tem que ser é preciso ter conhecimento especifico a respeito de seus orikis, orins, ebós, ewés, dentre outros. Não posso aplaudir e concordar com boa parte do culto aos orixás que é realizado dentro da maioria dos templos umbandistas, onde distorceram quase que completamente o entendimento acerca do orixá Ogum. O culto aportuguesado de Ogum, assim como da maioria dos orixás, é uma das grandes vergonhas que temos. Hoje qualquer um faz qualquer coisa sem sentido e diz que estar fazendo algo dentro do fundamento. Não há fundamento quando se abandona a identidade do orixá, sua natureza, sua energia, seu campo de atuação.
 
 
Eu saúdo Ogum como tem que ser, e nunca, jamais, aceitarei em meu trabalho nada que não seja fidedigno aos fundamentos reais de Ogum. A espada de Ogum reside a minha frente, atormenta meus inimigos e a todos destrói. No caminho ogum mata seus inimigos (e nossos) e toma banho de sangue, como diz uma de seus orins mais conhecidos, vejamos:
 
 
Ògún àjò e mònriwò, alákòró àjò e mònriwò
Ògún pa lè pa lóònòn Ògún àjò e mònriwò
Elé ki fí èjè wè.
 
 
TRADUÇÃO:
 
Ogun o Senhor que viaja coberto de folhas novas de palmeira,
Ogun o Senhor que viaja coberto de folhas novas de palmeira,
Ogun mata e pode matar no caminho, Ogun viaja coberto por
Folhas novas de palmeira, é o Senhor que toma banho de sangue.
 
 
 
 
PAI JADER DE XANGÔ – SACERDOTE DO PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL – TEMPLO ESCOLA DE UMBANDA
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 08/08/2018
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