PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL -  TEMPLO DE UMBANDA

"A verdade só está disponível para os despertos no espírito" (Sr. Exu 07 Covas)

"Eu não vim pra esclarecer, eu vim pra confundir". (Exu Mirim Tata Caveirinha)





"A vida é uma pergunta que você tem que responder". (Sr. Malandro Camisa Preta)





"Quando a vida está ruim, o Rosário é um simbolo que nos indica como buscar ajuda" (Pai Antonio de Angola).





"“Lá no sertão eu aprendi que a seca, a fome e a miséria não podem ser usadas para questionar a justiça divina, afinal, foi o homem quem maltratou a natureza, quem não repartiu o pão, quem maltratou uns aos outros” (Sr. Baiano Zé do Coco)






“A vida é alegre? A vida é triste? A vida é o que você é”. (Sr. Martim Pescador)
Textos


ORIXÁS NÃO SÃO SANTOS CATÓLICOS


 
O sincretismo religioso foi extremamente necessário para que o negro africano, trazido como escravo para o Brasil, pudesse manter vivo o culto as suas divindades, os orixás. Na associação entre orixás e santos, por características comuns, o negro viu uma maneira de burlar a proibição dos seus senhores e manter o culto ancestral de suas terras.
 
E assim, por associação, o negro começou a associar os santos católicos com os orixás, levando em conta traços comuns entre os dois. É assim que Oxalá passou a ser associado com Jesus Cristo, Oxum Com Nossa Senhora da Conceição, Xangô com São Jerônimo, Oxóssi com Santo Expedido, Ogum com São Jorge, e assim sucessivamente.
 
Desta forma, quando o negro africano se prostava diante de uma imagem católica, na verdade, ele estava se prostrando, em essência, diante do seu orixá. Era comum que os negros africanos colocassem dentro das imagens dos santos católicos pedras recolhidas na natureza e consagradas ao seu orixá. O sincretismo foi necessário.
 
Entretanto, o grande problema do sincretismo é a confusão mental que isso gerou, e ainda gera, nas pessoas, que acham que santos e orixás são as mesmas coisas. Não São! Os orixás são divindades africanas que tem, na cultura ioruba, um entendimento próprio, uma forma própria de serem cultuadas, uma forma própria de serem assentadas, funções próprias, dentre outras. Orixás não são santos.
 
Outro problema é a santificação dos orixás, pois alguns, entendendo que santos e orixás são os mesmos, passaram a dar trações santificados as divindades africanas, e encontramos muitas distorções. Em exemplo é Ogum, que é um orixá viril, agitado, colérico, bravo, conquistador, que ganhou ares de “guerreiro do bem, que nos incentiva a luta contra nós mesmos, que guerreia pela paz”, e essas frases não guardam relação correta com o orixá africano Ogum. Ogum pode ser perigoso, agressivo, violento, destruidor, etc,  se não cultuado da maneira correta, se desrespeitado, etc. Os oríkì de Ogum demonstram seu caráter aterrador e violento, vejamos alguns:
 
“Ogum que, tendo água em casa, lava-se com sangue”.
 
“Os prazeres de Ogum são os combates e as lutas. Ogum come cachorro e bebe vinho de palma.”
 
“Ogum, o violento guerreiro, 0 homem louco com músculos de aço, o terrível ebora que se morde a si próprio sem piedade. Ogum que come vermes sem vomitar.”
 
 “Ogum que corta qualquer um em pedaços mais ou menos grandes. Ogum que usa um chapéu coberto de sangue.”
 
“Ogum, tu es o medo na floresta o temor dos caçadores. Ele mata o marido no fogo e a mulher no fogareiro.”
 
“Ele mata o ladrão e o proprietário da coisa roubada.”
 
“Ele mata o proprietário da coisa roubada e aquele que critica esta ação.”
 
“Ele mata aquele que vende um saco de palha e aquele que o comprar”.
 
Antes de cristianizarem uma divindade africana e darem interpretações baseadas em psicologia rasa deveriam, aqueles que fazem tal coisa, procurar entender na sua origem quem, de fato, é o orixá, sua função, seu caráter, dentre outras informações cruciais. Nenhum orixá é mal em si mesmo, mal são os homens que os buscam com intenções erradas. Entretanto, nenhum orixá é santo, por isso não faz sentido essa santificação e cristianização de mal gosto a que submeteram os orixás.
 
Os santos católicos devem ser respeitados de acordo com a cultura cristã a que estão submetidos, assim como os orixás, que pertencem a outra cultura, que estão ligados a outro povo, que tem outro entendimento. O sincretismo cumpriu seu papel crucial num momento em que o negro africano não tinha liberdade de culto aos seus orixás, mas não podemos, a partir daí, perpetuar distorções de identificação que não fazem o menor sentido.
 
PAI JADER DE XANGÔ – SACERDOTE DE UMBANDA E DIRIGENTE DO PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL – TEMPLO ESCOLA DE UMBANDA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 14/09/2018
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